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The Cybernetics Group #tradução

Prefácio

O tema deste livro, nas séries das conferências multidisciplinares, mantida pela Fundação Macy e realizada entre 1946 e 1953, discute um amplo conjunto de tópico que eventualmente foram chamados de cibernéticos. Vindo como resultado da Segunda Guerra Mundial, quando os avanços científicos e técnicos dos anos de guerra - por exemplo, a proposta-geral moderna do computador e os modelos baseados nela - estavam apenas se tornando moeda pública, a série de conferências teve um papel histórico significante no desenvolvimento das ciências humanas e naturais nos Estados Unidos.

As conferências cibernéticas e eventos concomitantes formam uma história complexa, e eu tentei incluir uma pequena porção delas neste livro. Eu escolhi focar nos pesquisadores/as da psicologia, antropologia, sociologia e psiquiatria ao invés de engenheiros, biólogos e matemáticos.

Para o livro ser visto com sua própria luz, eu preciso dizer algo sobre o processo de escrita e minha relação com o próprio tema. Mais de vinte anos atrás, como físico durante a era da Guerra no Vietnã, eu senti a necessidade de ganhar uma perspectiva maior na prática de ciências e a direção que elas tomarão no mundo pós-guerra. Meu método foi duplo: aprender mais sobre o que as pessoas em outros, mas relacionados, departamentos acadêmicos - antropologia, biologia, psicologia, matemática - estavam fazendo para reconhecer que a ciência é uma atividade humana, e não apenas um corpo de conhecimento. Durante este período os procedimentos de publicação das conferências cibernéticas caíram nas minhas mãos e, desde então, muitas das disciplinas eram representadas pelos participantes, um estudo histórico desses encontros pareceu uma boa maneira de concentrar minha própria investigação.

Eu decidi que poderia valer a pena perseguir meu estudo na forma de um livro, mas eu rapidamente vi que eu ainda não estava pronto para negociar com o grande elenco e a variedade de disciplinas envolvidas. Eu me contentei em escrever um livre sobre apenas dois dos participantes, os matemáticos John von Neumann e Norbert Wiener. Quando o livro estava pronto, no entanto, eu me senti encorajado a começar a trabalhar com o grupo de cientistas sociais que estiveram nos encontros. Aqui, eu devo adicionar um aviso: eu não pratiquei sociologia, psicologia, economia, psiquiatria ou antropologia e, consequentemente, eu estou olhando para estes campos como um forasteiro (outsider). Meu principal interesse é no que as pessoas que eu falo sobre parecem ter sentido sobre o hoje. Tal perspectiva forasteira  pode promover novos conhecimentos [insights], porque ela contorna as premissas e práticas compartilhadas com uma disciplina (lembre-se de Alexis de Tocqueville escrevendo na America),  mas também, inevitavelmente, leva a encobrir muitos detalhes e pontos técnicos importantes. Para tentar evitar maiores desentendimentos, eu consultei especialistas das disciplinas que eu falo sobre. Esse livro, no entanto, não tem a intenção de ser uma fonte de informação de detalhes técnicos. Talvez, ele seja melhor caracterizado como o resultado de uma examinação histórica pessoal e interpretação de porções de séries de conferências muito interessantes e seus participantes.

Um dos meus primeiros passos foi contactar a maior parte de participantes que eu pudesse. Muitos, infelizmente, não estão mais vivos. Eu comecei a ler os escritos publicados por eles, as vendo como contribuições para "progresso" nas suas disciplinas específicas. Eu também peguei qualquer informação biográfica que estivesse disponível. Mas isso não funcionou. Muito do que é chamado de ciência social não estava convincente, para mim, como ciência em qualquer sentido tradicional. Na verdade, alguma delas pareciam ter apenas um fino verniz científico, o qual, aparentemente, foi suficiente para mantê-la aceitável. Além disso, como eu escrevi, eu percebi que meu estudo estava se tornando centrífugo; ele, simplesmente, não tinha coerência. Alguma coisa estava errada com a minha abordagem. Frustrado, eu coloquei minha escrita de lado.

Quando eu retornei ao projeto alguns anos depois, eu fui até o tema de maneira diferente, provavelmente porque eu tinha encontrado mudanças de atitudes entre historiados e sociólogos da ciência. Ao invés de tentar rever as contribuições específicas dos indivíduos, eu comecei a olhar os campos como um todo e explorar o papel de grupos de elite nos campos, grupos que compartilharam suposições e consensos sobre o que é válido e valoroso estabelecer nas prioridades do campo e guiar a direção da pesquisa (incluindo quem tem fundos, o que é publicado, etc). Deste ponto de vista, conversas e discussões, incluindo aqueles no centro deste livro e alguns na periferia, tiveram grande significância. Agora eu vejo que o diálogo entre pesquisadores pode servir como um princípio de organização para o meu estudo. Com esse foco, o material que eu havia recolhido começou a cair em padrões discerníveis, aparentemente, naturais. Nas várias junções deste livro, onde eu tinha os dados, eu pude ser específico, concreto e explícito na descrição de instâncias de como o processo da ciência funciona.

As duas formas de "background" (plano de fundo) presumidas nas conferências, às vezes, as empurram para o primeiro plano como influências no trabalho científico. Nessas condições políticas gerais, nos Estados Unidos, neste momento - na altura da Guerra Fria - e, mais especificamente, as condições gerais das ciências naturais e sociais. Capítulo 1 descrede essas circunstâncias. O momento são os interesses intelectuais que cada conferência trouxe para o primeiro encontro. O Capítulo 2 é uma pesquisa sistemática desses planos de fundo. Um leitor que não gosta de preliminares deve começar pelo capítulo 3. Eu espero, no entanto, que mais cedo ou mais tarde ele seja impelido a voltar para os dois capítulos para orientação.

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